Tokyo Five Days: 5º (e último) dia

(Veja aqui: 1º dia – 2º dia – 3º dia – 4º dia)

Fiquei triste por não ter ido a Kyoto, mas no fim das contas valeu muito a pena ter ficado mais um dia em Tokyo.

O roteiro começou em Asakusa, um dos bairros mais tradicionais de Tokyo, onde se encontra o famoso (e explêndido) templo Sensoji (e também o grande aipim dourado!). Primeiro, andamos em uma espécie de mini-carruagem que é puxada por um guia. O preço é salgadinho, mas vale a pena ouvir as curiosidades que ele conta sobre o bairro (com um pouquinho de esforço, o sotaque do inglês dele era bem puxado).

Passamos por uma “rua da sorte”, onde tem as estátuas de guaxinim da fortuna, e pela Rua dos Comediantes, onde há um velho teatro e fotos dos artistas que passaram por lá.

Antes de visitar o Sensoji fomos comer tempura (tipo de empanado tipicamente japonês) no restaurante mais tr00 de todos que eu fui no Japão! Lugar pequeno, velhinhos sentados no balcão de madeira comentando o programa da televisãozinha de tubo, cerâmicas antigas nas prateleiras e uma velha senhora nos convidando a sentar e nos servindo chá. Lembro que o meu amigo falou que “nós diminuímos drasticamente a faixa etária média do local no momento em que entramos lá”. Eu cheguei a me emocionar quando dei a primeira mordida no tempura de camarão, que vinha acompanhado de arroz e tempura de legumes. Sensação de poder morrer feliz!

Então nós fomos finalmente no Sensoji. O nome do portão da entrada é Kaminarimon, onde tem aquela lanterna vermelha grandona com um kanji (雷門, “Thunder Gate”, comprei um íma de geladeira dela pra minha avó).

Na parte de baixo da lanterna tem um dragão estilo Shen-long talhado em madeira, lindíssimo.

O longo caminho que vai do Kaminarimon até o templo de fato é cheio de barraquinhas e lojas de “besteirinhas” típicas (adoro!). Lá comprei boa parte das lembrancinhas que levei pras pessoas e comi pela primeira vez o Senbei, biscoito popular no Japão que é uma espécie de cream cracker, só que feito de arroz.

Aliás, nesse dia eu só comi! Em Asakusa ainda tomei um sorvete de chá verde e comi okonomiyaki no espeto (o Banshee comprou porque o do dia anterior não estava “com a consistência certa”). Nós também fizemos um vídeo (abaixo) mostrando as sandálias da humildade japonesa. Notem também uma espécie de “caldeirão” de incenso, onde as pessoas “puxavam” a fumaça pra parte do corpo que estivesse enferma ou para onde precisassem de “sorte” (seja pro bolso ou pros peitos, pra onde algumas meninas puxavam).

Também passamos por mais um lago de lindas carpas e por algumas gueixas meio fajutas (o guia nos disse que as verdadeiras não andam de kimono à luz do dia).

Saindo de Asakusa, fomos ao Edo-Tokyo Museum, um museu que faz uma trajetória da Era Edo à Tokyo dos dias de hoje.

É interessante como este museu permite a interação com os objetos expostos: você pode entrar na liteira que os Daimyo’s (senhores feudais) usavam, sentir o peso de um estandarte de guerra ou de baldes de madeira que os trabalhadores carregavam, e até entrar numa ráplica em tamanho real de uma casinha japonesa de época.

Além disso, há várias miniaturas mostrando como era Tokyo na Era Edo, assim como reproduções em tamanho grande de construções que foram destruídas por terremostos e bombardeamentos.

Também há nesse museu cartazes, objetos e relíquias da II Guerra Mundial, como por exemplo o tratato original que foi assinado pelo Japão após a queda das bombas atômicas.

Próxima parada, o bairro conhecido como paraíso otaku: Akihabara!

Começamos visitando uma sexy shop otaku de 6 andares (!), onde o Banshee queria comprar um “presentinho” pra eu trazer para uns amigos aqui no Brasil. Depois ainda passamos por um fliperama onde jogamos Taiko no Tatsujin, uma espécie de “Guitar Hero”, só que “Tambor Hero”! XD

Depois de babar pelos milhares de figure actions nas lojas (e de comprar alguns, claro) e de ver as bonecas em tamanho real da Rei e da Asuka na entrada do bar temático de Evangelion, nós fomos procurar um Maid Cafe, porque eu fazia questão de visitar um.

As maids (empregadinhas) nos abordavam na rua e eu fiquei muito tentada a ir em um cuja “promotora” era a coisa mais fofa que eu já vi no mundo (uma japinha pequenininha com voz de anime e vestidinho rosa), mas algo que uma outra maid disse ao Banshee fez ele arregalar os olhos e dizer de súbito: “É nesse que nós vamos!”. Enquanto seguíamos a maid, ele explicou que naquele Maid Cafe garotas podiam colocar o vestidinho de maid. E eu adorei! Foi engraçado que, quando eu saí do closet, uma das maids falou algo pro Banshee que o fez rir horrores. Depois ele me contou o que ela disse: “Nunca esse vestido encaixou tão bem nos peitos de alguém”.

Não tem foto das maids porque não é permitido tirar. Elas vendem as fotos, na verdade, e em alguns cafés você precisa ser um cliente assíduo para ter permissão de tirar fotos. Todos os maid cafés são meio carinhos: você paga um valor por hora –  só pela companhia delas, não incluindo o que você consome. No que eu fui, a hora era em torno de 1,000¥ (cerca de 25$), se eu não m engano, mas alguns chegavam a 3,000¥. No Café que nós fomos a maid jogou um “joguinho” parecido com “Pula Pirata” com a gente, só que com pocky, e c0mo eu perdi tive que ficar usando uma orelhinha de coelho. Depois ainda tiramos foto com um japonês que conhecemos lá, o Masa.

De lá ainda fomos tirar foto num “purikura”, máquina de fotos que tem photoshop imbutido! Você ainda coloca efeitozinhos gays depois, e as fotos saem impressas numa cartela adesiva. Fomos também em outro arcade pra jogar baseball (naquelas máquinas que disparam as bolas). E eu descobri que esse troço é muuuuito difícil! Sou uma negação.

Fechamos o dia em Shinjuku comendo lámen, mais conhecido como “miojo” (mas muito mais gostoso do que miojo!) . Esse restaurante é muito interessante, você faz o pedido do lado de fora dele: tem uma máquina e um painel com os tipos de lámen, você escolhe, enfia o dinheiro na máquina e ela cospe uma senha. Aí é só entrar e esperar seu número ser chamado.

Considerações finais

Eu peguei o vôo de volta na segunda de manhã. Foi difícil deixar o Japão. Não tenho vergonha de dizer que chorei o caminho todo até Narita, o que me fez descer na estação errada e ter vontade de chorar mais ainda com a gentileza das pessoas que me ajudaram a pegar o metrô certo. Chorei fazendo check-in, quando a funcionária do aeroporto veio toda simpática me trazer uma pantufa para calçar, na hora que eu tive que tirar a bota para passar no detector de metais; ela até me levou a uma cadeira para sentar e colocar a bota depois. Chorei entrando no avião e acabei sentando no lugar errado, sendo repreendida por um japinha apontando pro acento e pro bilhete dele. Depois de ir pro lugar certo, fiz uma reverência, olhando para a janela, antes do avião decolar. No fim das contas, não foram os templos ou as comidas ou as máquinas de bebida que mais me encantaram no Japão, e sim as pessoas. Fui muito bem tratada em todos os lugares e adquiri um prazer em fazer reverência toda vez que dizia “Arigatou Gozaimasu”. Mais que tudo, nutri um imenso respeito e carinho por esse povo. Esse povo tão educado, gentil, solícito… São todos uns lindos! Hoje eu posso dizer que amo o Japão e amo os japoneses, de verdade.

De lágrimas nos olhos, vendo da janela do avião a Terra do Sol Nascente se distanciar, eu pensei: “Ja ne”. Até breve, Japão.

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14 comentários em “Tokyo Five Days: 5º (e último) dia

  1. Ler sobre a sua viagem foi muito emocionante,mas infelizmente a viagem pra Tokyo não durou mais, mas eu ainda tenho um montão de vídeos pra ver no seu canal do YouTube que vou me inscrever e não perder um vídeo.

  2. Lendo seus posts sobre o Japão fiquei ainda mais ansiosa para realizar meu sonho, se é que isso é possível. Se tudo der certo pretendo ir em abril de 2017. Vou fazer de tudo, quebrar os cofrinho, vender moto para poder ir! kkk Amo demais a cultura japonesa e tenho certeza que a vontade vai ser ficar por lá, até já me imaginei chorando no último dia como você descreveu neste texto! rs Adorei seu blog! Bjos!

  3. Incrível sua forma de escrever e descrever suas viagens. Amei seu blog e estou muito disposta a viajar para o Japão Kkkkk o que dificulta é pq moro no Acre, então a viagem será um pouco mais longa e tbm não conheço ninguém no Japão. Mas estou lendo seus posts desde o Visto e cara… me tirou um peso, me tirou o medo, o nervosismo..tudooo kkk Parabéns e Obrigada!

    • Oi, Ethiene!! Obrigada pelo comentário, que legal saber que o blog está alcançando pessoas de todos os cantinhos do Brasil! Fiquei emocionada. ❤

      É isso aí, não precisa ter medo. Tenho certeza que vai dar tudo certo e vai ser incrível, é só se planejar direitinho. Qualquer outra dúvida, me manda um e-mail. 😉

  4. Mulher !!! Adorei ler sua aventura maravilhosa no Japão !!! \(^_______^)/ e a forma como você escreve é ótima ! Seria maneiro se você fizesse mais viagens pelo mundo a fora e descrevesse todas elas aqui :DDD *abraçaesedespede* Jya ne .o/

  5. adorei seu blog, agora estou mais informado e motivado a ir para o japão, sonho em ir lá desde pequeno e parece que quanto mais eu cresço maior fica a vontade de visitar esse país maravilhoso e chego a pensar em um dia se possível eu até ir morar no japão.

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